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Internacional
Em 2007, o enquadramento económico internacional ficou marcado pelo eclodir da crise do mercado hipotecário de alto risco nos EUA (subprime), na segunda metade do ano, à qual se seguiu um período de forte instabilidade nos mercados financeiros e uma desaceleração da actividade económica nos Estados Unidos e na Zona Euro.
Na primeira metade de 2007, observou-se a manutenção de um crescimento robusto da economia internacional, impulsionado pela evolução favorável das economias emergentes, como a China, a Índia e a Rússia, e do comércio mundial. Na segunda metade do ano, esta conjuntura alterou-se, verificando-se um clima de forte indefinição quanto à evolução dos mercados financeiros e aos seus impactos na actividade económica.
Esta evolução traduziu-se numa significativa perda de confiança dos investidores nos mercados de crédito residencial dos EUA, que alastrou aos mercados financeiros a nível global.
A quebra do investimento residencial e a crise dos mercados financeiros provocou uma forte desaceleração da actividade nos EUA no último trimestre de 2007.
Na Zona Euro, apesar de se ter assistido a uma desaceleração da actividade no 4º trimestre de 2007, a crise financeira não terá tido um impacto tão significativo no conjunto do ano, tendo o PIB atingido um nível de crescimento muito semelhante ao verificado em 2006, em torno de 2,7%.
Em 2007, principalmente no último trimestre, verificou-se um forte aumento das pressões inflacionistas a nível global, provocado pela subida dos preços dos bens alimentares e, particularmente, do petróleo, o qual aumentou, em termos anuais, cerca de 56% (USD/barril brent).
Para 2008, foram revistas em baixa as previsões de crescimento das principais economias internacionais, como reflexo do aumento dos factores de risco, associados à crise nos mercados financeiros e ao aumento das pressões inflacionistas a médio prazo. A actividade nos EUA deverá ser a mais afectada, prevendo-se que o respectivo PIB atinja um crescimento anual de 1,5%, enquanto a economia da Zona Euro deverá crescer 1,8%.
Destaca-se ainda a significativa desaceleração prevista para a economia espanhola, que absorve cerca de 30% das exportações portuguesas.
Nacional
Em 2007, a economia portuguesa manteve um fraco ritmo de crescimento, tendo o PIB atingido um crescimento de 1,9%, que, apesar de superior em 0,6 p.p. ao verificado em 2006, é um dos mais baixos da Zona Euro e da União Europeia.
A expansão significativa das exportações (+7%), nomeadamente de serviços relacionados com o turismo e os transportes, conjugada com a desaceleração das importações, contribuiu favoravelmente para a variação do PIB e para a redução das necessidades de financiamento externo da economia, traduzida na melhoria do saldo conjunto das Balanças Corrente e de Capital.
Para 2008, as previsões apontam para uma estabilização do nível de crescimento da economia portuguesa em torno dos 1,3% (previsão FMI), beneficiando da evolução favorável prevista para o investimento e da manutenção do contributo positivo das exportações líquidas.
No que diz respeito a Portugal, as estimativas apontam para que a Construção registe uma evolução marginalmente positiva em 2008. O crescimento do Sector deverá apoiar-se, sobretudo, na construção não residencial e na engenharia civil, dado que as perspectivas para o crescimento da habitação continuam a ser desfavoráveis.
Os riscos subjacentes a estas previsões são consideráveis, dado que o enquadramento macro-económico pode rapidamente deteriorar-se.
Segundo a AECOPS, em 2008, o segmento da construção de edifícios residenciais vai ainda manter uma evolução negativa (-2,5 por cento previstos para 2008), fugindo assim à tendência generalizada de recuperação do Sector, pois os factores responsáveis pela diminuição consecutiva da produção de novas habitações vão manter-se, como a subida das taxas de juro e a instabilidade do mercado de trabalho, a par com um cenário de sobre oferta.
O ano de 2008 também não deverá ser ainda o da expansão do segmento de recuperação/manutenção de edifícios, a avaliar pelos resultados alcançados em 2007 (as licenças emitidas para este tipo de trabalhos caíram 8,0 por cento até Outubro, traduzindo uma quebra ainda mais intensa do que em 2005 e 2006) e apesar de já estar em plena vigência o Novo Regime de Arrendamento Urbano, que no entanto não apresenta resultados práticos.
Já no que concerne à produção de edifícios não residenciais, deverá dar-se em 2008 um crescimento de cerca de 6,9 por cento, devido ao comportamento muito positivo da vertente privada (+10,0 por cento previstos para o corrente ano), já que os investimentos públicos neste segmento deverão manter-se a um nível idêntico ao de 2007, não se prevendo qualquer crescimento.
Ao nível da engenharia civil e segundo as intenções manifestadas pelo Governo relativamente a um conjunto alargado de projectos de infra-estruturas, com apoio das PPP (Parcerias Público Privadas), foram identificadas obras que, em conjunto, representam um investimento muito significativo e que serão lançadas a concurso até finais de 2009 ( casos do TGV e do novo Aeroporto de Lisboa, das plataformas logísticas, dos aeroportos de Beja e da Portela e da expansão das redes dos metropolitanos ).
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